terça-feira, 1 de outubro de 2013

Amuletos modernos

“AMULETOS MODERNOS”: CRÉDITO MISSIONÁRIO, CONSÓRCIO DE VIAGEM, ÓLEO DE UNÇÃO E ATÉ AUXÍLIO FUNERÁRIO 100% JESUS – POR GAZETA ON LINE

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Affonso conta que avó morreu ao deixou de se cuidar por crer na promessa de cura
Gazeta On Line
Na Idade Média, o comércio de relíquias sagradas e mesmo de um pedaço do céu garantia ao homem pecador a possibilidade de se livrar da pena adquirida pelos seus erros.
Na modernidade, as indulgências continuam a exercer o mesmo poder. Porém, seus conceitos foram renovados e embutidos em produtos e serviços, como seguros de vida associados a Cristo, amuletos da salvação, cartões de crédito missionários, consórcios de viagem espiritual a Israel, pílulas de emagrecimento milagroso, carnês da cura que são vendidos por igrejas, seitas e grupos religiosos nos templos, na internet e na TV.
Em alguns casos, não é preciso comprar diretamente a “bênção”. Ao fazer doações em dinheiro ou de bens, o religioso está apto a receber, não só um mover sobrenatural, mas, também brindes e presentes, como CDs de músicos famosos, DVDs de grandes pregadores, revistas religiosas, cadernos, livros sobre fortalecimento da crença, almofadas e toalhinhas cheias de poder e água consagrada capaz de realizar transformações.
No mercado da fé, que tem movido no Brasil uma montanha de dinheiro – aproximadamente R$ 15 bilhões ano no Brasil– há casos de empresas e instituições religiosas que chegam a vender a “Santa Ceia” e “óleo da unção” pelos Correios.
No entanto, um dos produtos sagrados que têm causado polêmica no Brasil é o Seguro de Vida e Auxílio Funerário 100% Jesus, de R$ 24,90 mensais, comercializado pela Igreja Mundial do Poder de Deus, em parceria com a corretora Sossego e a Mapfre.
No Estado, a promotoria de Defesa do Consumidor de Vitória começou a investigar a regularidade do serviço. A intenção é verificar se o nome do seguro é coerente, respeita a harmonia das relações de consumo ou se faz propaganda enganosa.
m2“Notificamos a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e vamos esperar um parecer quanto à legalidade do serviço para verificar se o nome do serviço faz com que o consumidor fique vulnerável”, explica a promotora Sandra Lenbruber.
O seguro tem cobertura de R$ 8 mil e assistência funeral de R$ 3 mil, mais vale-alimentação por seis meses aos beneficiários.
Em um vídeo publicitário na TV, transmitido nos comerciais do programa da igreja, os donos do seguro tentam chamar a atenção do consumidor ao mostrar um homem atormentado, com medo de morrer. Num criado-mudo, ao lado da cama do personagem, aparece uma Bíblia e ao ouvir o locutor da peça publicitária falar das vantagens do serviço, ele sorri, apaga a luz do quarto e volta a descansar aliviado.
Ida a igreja

A GAZETA foi a uma Igreja Mundial de Vitória na tentativa de comprar o seguro. O pastor do local, bem receptivo, disse que o serviço ainda não foi lançado nas igrejas e que por enquanto estava à venda apenas no site da Mundial e na TV.
A reportagem entrou no site da Igreja Mundial (www.impd.com.br), porém, as informações sobre os planos de benefício, que até junho estavam na página, foram retiradas devido à repercussão que a história alcançou na mídia nacional. As vendas agora são feitas por outra página (www.sossego.com.br/jesus).
No site, há, inclusive, o depoimento de um dos bispos da entidade sobre a qualidade do produto.
“O Seguro 100% Jesus garante a sua tranquilidade financeira e de sua família nos momentos difíceis e evita que vocês fiquem desamparados. É seguro como a sua fé. Eu já contratei o meu”, afirma o bispo Fábio Valentte.

O apóstolo e líder da Igreja Mundial, Valdemiro Santiago, nos cultos na TV, tem negado que o seguro seja da igreja. Ela afirma só recomendar que os “obreiros” adquiram o produto apenas para proteger suas famílias.
Ao ligar para os canais de vendas do seguro, uma gravação eletrônica afirma vender produtos intitulados “família tranquila”. A atendente diz pertencer a uma empresa terceirizada contratada pela Mundial e pela Sossego para fazer a venda do seguro.
A Susep informa que o Seguro de Vida 100% Jesus se trata de um nome fantasia para um produto existente, vinculado à Mapfre. Por isso, não estaria irregular.
A Mapfre afirma que está vinculada ao produto, porém, explica que: “a adequação do produto quanto ao nome e às coberturas é de responsabilidade da instituição religiosa e da corretora.” A Igreja Mundial foi procurada, mas não respondeu à reportagem.
Carnê de cura substitui tratamento
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Sou contra a venda de produtos na igreja. Não vejo ninguém comercializando bênção. O lencinho é gratuito”. Hércules Lima membro da Mundial
O carnê da cura de uma igreja neopentecostal, pago todo o mês, prometia sarar a avó de Antonio Affonso do diabetes. Crente que estava livre da doença, ela parou de se cuidar. Um dia, a alta taxa de glicose, provocou nela um AVC fatal. “Fui conversar com o pastor e ele disse que minha vó morreu porque não teve fé suficiente. O valor que deveria ser pago à igreja dependia da doença e do poder do milagre esperado”, conta Antônio que é pastor Batista Reformado.
Ele se converteu ao protestantismo anos após a morte de sua avó e afirma que não há no Cristianismo espaço para a compra da salvação. “Ela é pela graça. O que vejo é que há muitas igrejas abusando da inocência das pessoas. O povo brasileiro é místico e carente e acaba sendo atraído por pessoas que oferecem óleo santo, pedaço da cruz. Há uma mercantilização da fé, com apelos para as ofertas”.
Óleo da bênção vira brinde
Algumas igrejas não vendem produtos consagrados, porém prometem brindes materiais e espirituais para fiéis que fazem doações. Há casos de denominações que presenteiam seus membros até com chaves sagradas e entregam para os frequentadores, dentro do envelope do dízimo, um pequeno frasco de um óleo ungido, capaz de “resolver todos os problemas”. O líquido deve ser passado nos ouvidos para que a pessoa receba boas notícias.
Membro da Igreja Mundial, Hércules Lima não se separa do lenço da bênção, que ganhou da instituição. Ele afirma que em sua igreja não é uma prática vender objetos sagrados. O que ocorre é a entrega de presentes àqueles que doam.
“Não há a comercialização de livros e DVDs. Não acho correto uma denominação vender produtos. Ninguém está acima da Palavra de Deus. Ela proíbe essa prática. Quanto às doações, não há nada imposto. Mas a pessoa tem que ter consciência que, quando dá algo a alguém, pode receber um brinde ou mesmo um presente no futuro, lá no céu”.
Estímulo à doação
Com discursos encorajadores, e com promessas de salvação ou de retorno em dobro dos bens, a máxima “é dando que se recebe” tem tomado conta das orações.
Os pedidos são feitos para arrecadar dinheiro para a construção de igrejas. Tem pastor que chega a vender, pela TV, Bíblia por R$ 900 e afirma que o dinheiro levantado servirá para ajudar nas obras de um importante templo.
A GAZETA foi a duas igrejas em Vitória e constatou que as doações, muitas vezes, são vinculadas a bênçãos. Na Igreja Universal do Reino de Deus, enquanto pedia ofertas para os fiéis, para ajudar na construção do Templo de Salomão, que ficará no Brás, em São Paulo, o bispo estipulou um valor médio de R$ 1 mil para ser doado.
m4Os exemplos de quanto poderiam doar chegaram aos R$ 20 mil. Algum tempo depois ele mudou o discurso. “Eu não vou falar o teu valor. Ou mil pra cima ou mil pra baixo. Falo esse valor só para lhe mostrar a importância de gravar esse número. Porque Deus quer te fazer grande”.
Já na Igreja Mundial do Poder de Deus em Vitória, foi constatada a entrega de brindes, como uma chave consagrada para quem fizesse doações “ouro, prata ou bronze”.
Lá também o fiel pode dar ofertas por meio de dois carnês: o da multiplicação – com valores de R$ 30, R$ 50 e R$ 100 –, e o das Grandes Realizações – no valor de R$ 100. Todos contêm o número de três contas bancárias para depósitos. Em letras pequenas, no verso da folha, encontra-se escrito “Faça aqui o seu pedido”.
Segundo o pastor Batista Antonio Affonso, as doações feitas às igrejas e os dízimos não devem estar ligados a promessas nem a brindes. E afirma ainda que o recurso deve ser aplicado nas igrejas locais. “Uma denominação não pode pedir dinheiro de forma nacional”.
Ele explica que uma das propostas das ofertas é a manutenção das atividades e que parte dos recursos podem ser aplicada no desenvolvimento de serviços comunitários. “Tem uma igreja em Cabo Frio (RJ) que utiliza parte das ofertas para construir casas para pessoas carentes. É louvável. Meu sonho era construir um prédio para atender à comunidade, oferecendo serviços sociais. A igreja tem que atender à comunidade, não pensar só em si mesma”.
Adesão à venda porta a porta
A moda do marketing de vendas diretas chegou às igrejas. Grupos religiosos estão oferecendo aos fiéis a possibilidade de se tornarem revendedores de livros, Bíblias, CDs e ainda ter uma alta lucratividade.
Dois pastores e tele-evangelistas de renome nacional estão comercializando um modelo de revendas de porta em porta e prometendo ganhos de até 100% aos sócios.
Um dos casos é do pastor Silas Malafaia, da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, no Rio de Janeiro, e dono da editora Central Gospel.
O tele-evangelista tem divulgado na TV e também em suas páginas da internet a oportunidade de negócios. Para quem se cadastrar, o pastor promete até disponibilizar uma máquina de cartão de crédito.
O pedido mínimo que deve ser feito durante a adesão é de R$ 300 para qualquer categoria de revendedor: prata, ouro ou diamante. O lucro prometido varia de 25% a 100%.
Outro pastor que aderiu ao sistema de vendas diretas é R.R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus.
Segundo publicidade no jornal da igreja e no site www.catalogodopovo.com.br, a pessoa pode se tornar um consultor de sucesso e lucrar muito.
O site afirma que ao formar consultores o objetivo do negócio é “levar o Evangelho do Senhor Jesus aos perdidos e também aos que precisam crescer na fé”, diz. O pedido mínimo para quem é consultor é de R$ 160. A lucratividade é de 30% do valor investido.
Suspeita de pirâmide gospel no mercado
Temas evangelísticos e produtos missionários também são usados para chamar pessoas para o setor de marketing multinível.
m5Enquanto a força-tarefa de promotores de defesa do consumidor investiga 80 empresas suspeitas de formação de pirâmide financeira, o site Eu Evangelizo (www.evangelizo.com) oferece lucratividade para quem recrutar novos associados, interessados em comprar kits com materiais de evangelização.
O site afirma que o Eu Evangelizo é da Igreja Evangélica Missão Apascentar e garante lucro até o sétimo nível da rede do associado.
A GAZETA procurou os responsáveis pelo site, por meio do e-mail contato@euevangelizo.com, mas ninguém respondeu.
A Igreja Apascentar, sediada em Nova Iguaçu, foi procurada e se surpreendeu com a utilização do nome da entidade em um trabalho de marketing de rede.
Em nota, o pastor da igreja, Marcus Gregório, disse não recomendar e não ter esse tipo de parceria. “Não desenvolvemos em nosso ministério esse trabalho de marketing multinível, assim como não apoiamos tal trabalho, nem abençoamos. Na verdade amaldiçoamos e repudiamos quem está usando o nome da igreja para esse fim e até mesmo arrecadando dinheiro. O nome Apascentar está sendo usado indevidamente, sem nosso conhecimento e autorização legal”.
Até consórcio para quem quer viajar a Israel: pacote custa R$ 10 mil, que são parcelados em até 48 vezes
A busca pela proximidade com Deus está criando no Brasil um lucrativo mercado de viagens religiosas. São mais de 3,5 milhões de passeios por ano realizados fora do país, segundo estimativas do Ministério do Turismo. Um dos locais mais visados é Israel. Grupos religiosos chegam a formar agências de viagens e mesmo oferecer consórcios para os fiéis.
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Cartões de crédito que exalta a “benção à Obra do Senhor”
Só em 2012, 60 mil brasileiros foram para Jerusalém por questões religiosas, de acordo com o Ministério de Turismo de Israel.
Um dos casos curiosos é o do apóstolo Renê Terra Nova, do Ministério Internacional da Restauração, de Manaus. Ele lidera um dos maiores movimentos neopentecostais do país, tendo seguidores inclusive no Espírito Santo.
Além de pastor, é dono da agência Terra Nova Group, responsável em realizar as peregrinações para Israel. Em suas mensagens no YouTube, o apóstolo afirma que é necessário que todo o cristão vá pelo menos uma vez para Israel. O líder também estabelece a cada um dos pastores uma meta de no mínimo 10 pessoas que devem ser conquistadas para as caravanas.
No site da agência, além da contratação do pacote de viagens, que custa em média US$ 5 mil (R$ 10 mil), o consumidor pode contratar consórcio, sem consulta ao SPC e à Serasa, com carta de crédito de R$ 7 mil a R$ 10 mil. O fiel interessado pode pagar o consórcio em 12 ou 48 prestações.
Apesar de mostrar as condições do consórcio, o site não disponibiliza contrato nem explica qual é o órgão responsável pelo produto de valores mobiliários. Para conseguir informações, a reportagem ligou para a agência em Manaus, e a atendente disse que lá funcionava a Embaixada de Israel.
Outro lado
A GAZETA também contatou o diretor de Caravanas da agência, Marcus Almeida. Segundo ele, o consórcio do Terra Nova Group foi adaptado e pertence ao Banco Rodobens. “Pegamos um consórcio de serviços e demos o nome de Consórcio de Israel”.
A operação, garantiu, é legal. E ao realizar caravanas, o grupo visa a incentivar a ida à Terra Santa. “Ir para Israel é inevitável. Nós incentivamos todos a irem para lá, mas não obrigamos a comprar conosco. As metas estabelecidas não são comerciais e sim espirituais”.
Almeida acrescenta que o contrato do consórcio é fechado junto à Rodobens e que a atendente errou ao falar Embaixada de Israel. Ele explica que o nome certo é Embaixada Cristã de Jerusalém. “Com o consórcio, apenas buscamos facilidades para as pessoas. Somos os maiores divulgadores de Israel no país. Já chegamos a levar 3,5 mil pessoas para lá em um ano. Neste ano, devemos levar mil pessoas”.
Segundo a Embaixada de Israel, não há autorização para que nenhuma entidade utilize o nome do órgão por questões religiosas nem comerciais.
A instituição também explica que brasileiros gastam em média US$ 3,5 mil (R$ 7 mil) para viajar ao país.
Em nota, a Rodobens declara que não possui nenhum tipo de relação com a instituição denominada Terra Nova Group, desconhecendo totalmente eventual oferecimento de consórcio por essas pessoas em seu nome. O banco diz também não autorizar o uso de seus produtos por meio de sua rede de prestadores de serviços e parceiros comerciais.

A REDE DA FÉ

Kit comunhão
No YouTube apresenta o kit comunhão, que vem com artigos para a “Santa Ceia” e óleo ungido. O pacote custa R$ 300 e promete ajudar pessoas com problemas espirituais, emocionais, de depressão, questões financeiras, entre outras questões.
Cartão de crédito
Várias igrejas oferecem cartões de crédito para os fiéis. Algumas afirmam disponibilizar um cartão missionário, com o dinheiro arrecadado seria possível levantar recursos para realizar missões, como é o caso da Assembleia de Deus.
Lojas virtuais
Igrejas ou empresas ligadas a denominações religiosas também realizam o comércio de produtos, como CDs, canecas, chaveiros e artigos religiosos. No ramo católico carismático, o Canal Canção Nova tem uma loja virtual na internet para vender produtos e arrecadar recursos para a construção do Santuário do Pai das Misericórdias.
Feiras
Tanto no ramo católico quanto cristão evangélico, são realizados eventos como feiras. No setor católico, há caso de roupas e batinas para padres que chegam a custar R$ 7 mil. No nicho evangélico neopentecostal, as feiras, além de Bíblias eletrônicas semelhantes a um MP4, são vendidas até pílulas de emagrecimento milagroso.
Sites de compras coletivas
O mercado da fé tem mexido até com o setor de compras coletivas. Um grupo criou o Clube das Ovelhas, que vende livros e diversos produtos gospel.
Shopping do Pastor
Para pastores que estão fundando suas igrejas, há páginas na internet que oferecem produtos como manto sagrado, chaves da bênção, galão de água consagrada ou outros objetos neopentecostais.
O outro lado: Igrejas se calam
A reportagem, durante a última semana, procurou pastores e líderes das igrejas. Silas Malafaia, segundo a assessoria de imprensa, estaria com a agenda cheia e não teria como dar entrevistas. Para a Mundial do Poder de Deus, foi enviado e-mail, feitas ligações para a igreja, para o setor administrativo e para a comunicação, e nenhuma resposta foi enviada. A Igreja Internacional também não respondeu aos e-mails e aos telefonemas. A Universal também foi procurada, mas não respondeu aos e-mails nem retornou às chamadas. O canal Canção Nova, também consultado pela reportagem, não respondeu aos questionamentos apresentados.
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A reportagem foi realizada por Mikaella Campos e Fiorella Gomes, repórteres da Gazeta Online. Fonte: Gazeta On Line via Minha Vida Sem heresias.


FONTE DA MATÉRIA: Púlpito Cristão

sábado, 10 de agosto de 2013



PAPAI É TUDO...

Tenho tido o privilégio indescritível de ser pai de uma criança pequena de 3 meses de idade. Cada vez que converso, oro, canto e brinco com ele, e sou correspondido com seu sorriso e atenção, penso o quão rico e significante é minha vida aos olhos de Deus de ter sido escolhido para ser pai de uma criaturinha tão singela e maravilhosa. Não posso deixar de pensar das expectativas de Deus (O Supremo e Maravilhoso Pai Celesial) em relação a nós seus filhos, que o aceitamos mediante a obra Redentora de Jesus Cristo (Jo 1.12), em relação a tudo o que Ele deseja e espera de nós, e também o que não deseja.
Em contrapartida, por vivermos uma vida tão corrida e afoita, muitas vezes nos privamos de Sua comunhão pessoal, que tanto nos enriquece a vida e as relações. Como diz um dito popular, “Não ter tempo para Deus é viver perdendo tempo...” Imagino que Jesus se referia a crianças mais ou menos da faixa etária de até 6 anos quando disse que era necessário receber o reino de Deus como uma delas.

O texto abaixo, é fruto de uma das reflexões do Pr Ariovaldo Ramos (SEPAL), transcrita em forma de Crônica pelo Pr Marcelo Gualberto (MPC), em homenagem ao dia dos pais.

1) Papai pode tudo

Para uma criancinha, não há limites para o poder do pai. Nosso primeiro e grande 'super herói' é o papai. Depois a gente cresce e aos poucos vai descobrindo que 'papai' é gente como a gente, sujeito a fracassos, erros, tremendamente limitado, que luta, vence e também é derrotado nas batalhas da vida.
Quando o Senhor afirma que precisamos nos tornar como 'crianças', Ele está nos desafiando a confiar neste 'Papai' Todo Poderoso, que pode fazer infinitamente mais além de tudo que pedimos ou pensamos, segundo seu poder que opera em nós.
Gostava de uma antiga propaganda de pneus que dizia: "Pneus Pirelli, SEGUROS COMO A MÃO DO PAPAI". O publicitário, autor desta propaganda, foi muito feliz ao estabelecer esta relação. Existe algo mais seguro para uma criança que a mão do papai? Uma relação de perfeita paz porque estamos de mãos dadas com o Pai Nosso, que nos ama e pode todas as coisas? Não precisamos temer as más notícias, os sinais de morte, as tempestades, os vales sombrios de dor, os tsunamis, nada, porque o PAPAI PODE TUDO.

2) Papai sabe tudo

Pensei que à medida que eu fosse ficando mais velho, teria resposta para muitas perguntas. Estava enganado. Aconteceu justamente o contrário. Tenho muitas perguntas sem respostas na minha mente. Uma certeza porém tenho: mesmo que eu não consiga entender ou ter resposta para muitas perguntas, meu PAI SABE TUDO. Posso descansar no fato que nada e nem ninguém consegue surpreender a Deus. Ele me ama e quer o melhor para minha vida. Papai não está limitado a tempo e espaço. Posso não entender, mas Ele entende. Posso não saber, mas Ele sabe. Posso não conhecer, mas Ele conhece. Papai sabe o que é melhor para mim. Não tenho muito o que fazer. Tenho que obedecer, ouvir e seguir seus conselhos. Simples assim!

3) Papai é tudo

Mais do que presentes, é a presença do Pai que importa. Mais do que aquilo que o Pai pode oferecer, é a pessoa do Pai que faz a diferença. Meu pai partiu quando eu tinha 33 anos. Em seguida escrevi uma crônica na qual falava de muitas oportunidades perdidas de conviver com ele. Sinto-me triste e arrependido até hoje. Daria tudo para poder voltar atrás e reparar o meu erro. Meu pai era uma pessoa alegre, gostava de uma piada e chegou a me ajudar muito na zeladoria do Acampamento MPC. Se com o meu pai da terra perdi tempo, não quero cometer o mesmo erro com o Pai do Céu. Infelizmente vivemos um tempo que o 'importante' é a benção do Pai, muito mais que o Pai. Parece que oramos olhando para as mãos do Pai em busca dos seus presentes. Oramos olhando para aquilo que Ele pode nos oferecer.
Quero resgatar a minha 'çriancitude'. Quero chegar a Deus apenas pelo fato Dele ser meu Pai, Pai Nosso. Quero descansar nos seus braços. Existe lugar mais seguro, bom, confortável do que a cama dos pais?

Sobre meu Pai do Céu, Pai Nosso, feliz e agradecido, escrevo e publico a seguinte oração: Pai Nosso que estás no céu, santificado seja o Teu nome na minha vida. Os dias são de pesadelos, tempestades, trovões, raios, vales cinzentos e más notícias. Estou com medo Papai! Corro para a Tua 'cama' porque sei que aquele que busca refúgio no "esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará". Quero te agradecer porque o 'Altíssimo' e o Onipotente é meu Pai, Pai Nosso. Te agradeço porque na Tua 'cama' tem lugar pra mim também.
Pai, Papai, não quero te pedir nada. Quero apenas descansar e me esconder em Ti, na certeza que no Teu esconderijo, estou protegido. O Senhor pode tudo. O Senhor sabe tudo. O Senhor é Tudo.
Senhor, eu cresci e me perdi. Eu cresci e perdi a minha 'criancitude'. Quero voltar a ser criança no espírito. Quero a simplicidade da fé de uma criança no Papai do Céu. Que, a partir da minha ' criancitude', as
minhas filhas e neta possam também correr para a Tua 'cama'. Sempre ...

Oro assim, em nome do meu IRMÃO MAIS VELHO, Jesus!

quarta-feira, 29 de maio de 2013

quanto-o-universo-me-paga-para-nao-estar-no-facebook
Paulo Brabo
Duas cur­tas adver­tên­cias: [1] sou tão super­fi­cial quanto qual­quer um; [2] claro que um dia vou capi­tu­lar: claro que um dia vou fazer parte da rede social mais popu­lar do planeta.
Isso não muda o fato de que o uni­verso me paga, dia após dia, para não ceder ao Face­book. Falo, é claro, do uni­verso offline do café com bolo de fubá, da tra­ves­sia de fer­ry­boat, da casa alu­gada na praia, do boli­nho de carne seca comido no bar, de espe­rar que o amigo saia final­mente da sala de desem­bar­que, da cor­te­sia na fila do cor­reio, das pes­soas que impri­mem livros e das que os com­pram, das ruas de Mor­re­tes, dos últi­mos pas­to­res de ove­lhas da Itá­lia, da velha senhora que é tia de alguém e que mora sozi­nha entre mor­ros arre­don­da­dos no inte­rior de Minas Gerais e faz a pró­pria fari­nha de milho num mon­jolo movido a córrego.
Incri­vel­mente, esse uni­verso me veste, me ali­menta, faz água cair do céu e faz o vento var­rer meus cabe­los no alto da mon­ta­nha como num comer­cial de sham­poo. Ele me manda livros, car­tões pos­tais, cho­co­late e batata frita, e me mas­sa­geia las­ci­va­mente as cos­tas na cacho­eira. Como um apai­xo­nado que não se sabe mode­rar, o uni­verso me manda gente que me ofe­rece café, que me faz comida, que me chama de irmão, que me toca a mão, que me ouve cho­rar, que se mara­vi­lha com as mes­mas coi­sas, que dorme comigo, que colhe comigo cogu­me­los, que me pre­sen­teia com CDs, que me serve chá de capim-​​cidreira, que me traz gar­ra­fas de bom vinho, que me dá flores.
Dia após dia, em todos os seus dia­le­tos, o uni­verso me repete uma mesma frase: pegue o que você precisar.
“Brabo,” o uni­verso me diz, “pegue o que você precisar”.
Ele pede uma única coisa em troca, e o que ele pede é tre­men­da­mente exi­gente: que eu con­ti­nue a dese­jar aquilo que con­si­dero desejável.
É claro que o mundo de abra­ços e de café e de pura cone­xão entre as pes­soas que desejo não existe fora da minha cabeça, mas repito: o uni­verso não cessa de me pagar para con­ti­nuar sonhando com ele. E é com essa pro­pina que ele vai me impe­dindo de dese­jar o Facebook.
O Face­book sabe que é com frequên­cia difí­cil para mim estar onde estou, e ele quer me con­for­tar com a impres­são de que estou em outro lugar. O Face­book sabe que às vezes é difí­cil para mim estar com quem estou, e ele quer me con­for­tar com a lem­brança de que tenho cone­xões muito reais em outro lugar. O Face­book sabe que mui­tas vezes não tenho paci­ên­cia ou cora­gem de mover-​​me de onde estou para onde gos­ta­ria de estar, e ele quer me con­for­tar com a sen­sa­ção de ter trans­posto a distância.
Meu desa­fio pes­soal mais antigo foi sem­pre expe­ri­men­tar a rea­li­dade sem sub­ter­fú­gios: estar onde estou. A solu­ção, quando há, sem­pre foi mover-​​me para onde não estou.
O Face­book me con­vida inces­san­te­mente a fazer o con­trá­rio: a não estar onde estou e anão mover-​​me para onde não estou – e seria tal­vez mais fácil ceder ao con­vite se ele não for­çasse a barra cha­mando essa doce imo­bi­li­dade de cone­xão. Natu­ral­mente, é pre­ci­sa­mente essa moda­li­dade de cone­xão aquela que quero, e tal­vez seja a única que expe­ri­mento. Como tudo mundo, quero obser­var a beleza do uni­verso sem comprometer-​​me com seus desa­fios; quero admi­rar gente de longe sem ter de pagar os ris­cos de uma rede viva e com­plexa de rela­ções. Minha vida seria mais fácil se os cofres do cora­ção não trans­bor­das­sem daquilo que o uni­verso me dá coti­di­a­na­mente para con­ti­nuar a não con­si­de­rar essa con­di­ção (veja o comer­cial abaixo) como desejável.

terça-feira, 28 de maio de 2013


Hino ou Cântico?


Um dia desses topei com um texto falando sobre a eterna briga entre o velho e o novo no que diz respeito ao louvor congregacional. 

Achei que o autor tinha captado exatamente o ponto: é tudo uma questão de gosto, apesar de que também há certas coisas que não são fáceis de engolir de parte a parte.

Era impossível traduzir a ideia original literalmente, então fiz uma adaptação que mantivesse o “espírito da coisa”. É mais ou menos assim:

Um senhor viajava a negócios sozinho e foi parar em uma igreja em uma grande cidade. Ao chegar em casa, sua esposa lhe perguntou como tinha sido. Ele disse: “Foi quase igual à nossa igreja, mas eles cantavam música “contemporânea”, como eles chamavam”.

“Música contemporânea?” perguntou a mulher. “Como assim?”

“Ah, é um tipo de hino, mas um pouquinho diferente”, disse o senhor.

“Mas, qual a diferença?”

“Bom, é mais ou menos assim: se eles fossem cantar ‘Batatinha quando nasce esparrama pelo chão’, seria um hino. Agora, se fosse...

Batata, batata, batata, batatinha, batatinha, batatinha
Batatinha ô ô ô ô ô ô  Batatinha ô ô ô ô ô ô
Quando quando nasce, quando quando nasce, nasce e nasce
Esparrama, esparrama pelo chão, pelo chão, pelo chão, e chão e chão.
E o nenenzinho põe, põe, põe, põe, põe, põe, põe,
A mão, a mãozinha, a mão santa, a mão bela, a mão, a mão, a mão
No coração (18 x)...
...aí já seria um ‘cântico contemporâneo’, entendeu?”

Na outra semana, um jovem executivo, também em viagem, entrou em uma igreja mais tradicional. Chegando em casa, o mesmo diálogo. A esposa pergunta como foi e ele responde que foi tudo quase igual à igreja deles, mas eles cantavam “hinos tradicionais”. “Como assim?”, pergunta a mulher.

“Ah, é um tipo de cântico, um pouquinho diferente”, diz o rapaz.

“Mas, qual a diferença?”

““Bom, é mais ou menos assim: se eles fossem cantar ‘Batatinha quando nasce esparrama pelo chão’, seria um cântico contemporâneo. Agora, se fosse...

1.      Ó, Batata, a lide chama
Pelo chão que esparramais;
Vinde e vede a nós que embala
Com canções angelicais

ESTRIBILHO
Ó, tubérculo precioso, fonte que és de inspiração
Puro infante gracioso, põe a mão no coração

2.       Seja vós de nós dignada
Deste fértil solo aqui
Tu, batata aqui plantada
Alimento produzi!

3.       Que do doce sono embale
O rebento a dormitar.
Que procela alguma abale
Coração a abraçar.

“Aí”, completa o jovem, “já seria um ‘hino tradicional’”!

Adaptado de http://www.apuritansmind.com/the-christian-walk/a-funny-little-story-about-hymns-and-praise-songs-by-author-unknown/

terça-feira, 5 de março de 2013

Esquina da vida





Palavra à geração de jovens e adolescentes da década de 70 e 80.



           A vida tem uma esquina que a gente só enxerga quando chega à meia idade. Justamente quando percebemos que temos passado (parece que até os 40 só temos futuro). Essa esquina é maravilhosamente estranha, intrigante e desafiadora. Estranha porque ela traz consigo um sentimento de banzo e nostalgia, talvez fruto dessa percepção forte de passado, de "pretérito imperfeito". Intrigante porque a essa altura já conseguimos enxergar a vida com outros olhos que não os da inocente e alegre adolescência ou da corajosa juventude. Desafiadora porque, pelo menos em tese, ainda temos um outro tanto de vida para viver e agora a experiência não nos permite mais errar.

           Pensei ter chegado à esquina da vida aos 20. Enganei-me. Aos 30, novo engano. Aos 35 comecei a enxergá-la ao longe e aos 40 ela ficou perto. Aos 50 ela chegou para ficar (ou foi eu que cheguei?). 
             

              A "esquina" da vida é repleta de desafios mas também igualmente cheia de perigos. Parece que posso ouvir a voz do meu pai preocupado comigo quando, pela primeira vez, orgulhosamente, fui sozinho à padaria para comprar o pão da tarde: "cuidado meu filho, essa esquina é muito movimentada!"

          Jovens   da década de 70 e 80, maravilhosa  geração, meus  amigos  e  irmãos de caminhada,  
atravessemos com calma e cuidado essa "esquina".

           Do outro lado da rua nos espera uma longa descida (ou subida?). A geração dos nossos filhos começa a ocupar os nossos espaços e isso é maravilhoso. Claro que existe aquela pontinha de tristeza quando vemos a vida passar e alguns dos nossos melhores sonhos também. É na "esquina" da vida que precisamos voltar a nos abraçar, como nos velhos tempos, na esperança, que, em breve, não haverá mais "esquinas", só ruas de ouro, e praças, e árvores, e rio cristalino, e música, e festa, e mais abraços nos encontros e reencontros, para sempre com o Senhor.


Fonte:

Marcelo Gualberto 
Diretor da Mocidade para Cristo do Brasil