Às vezes não temos ideia do que Deus pode
fazer através de nós, Ele pode glorificar seu nome através de ações simples e
despretensiosas, que nos permitimos, movidas por motivações puras.
Em dezembro de 2001 O pr. Gildário, líder da
Igrela Batista Missionária, na cidade de Itaporanga – PB, chegou em minha sala
no Seminário Sertanejo (Seminário Teológico do Ministério Juvep), semelhante
aos primeiros dias que o vi quando passei a morar em Itaporanga, 9 meses antes.
Percebendo o seu estado de ansiedade
convidei-o para sentar e contar as novidades. Ele desabafou:
- Essa historia de missões é conversa
fiada. Tudo é ilusão e mentira. O dinheiro não chega, as feiras não chegam.... "
Depois de ouvi-lo perguntei o que estava
acontecendo de fato. Ele então respondeu:
- Estou passando por uma humilhação muito grande. Peço um real a um e a outro para que o programa do rádio não acabe".
A igreja tinha um programa em uma rádio comunitária com duração de uma hora, um dia por semana, o valor mensal para espaço radiofônico era de cinquenta reais.
- Estou passando por uma humilhação muito grande. Peço um real a um e a outro para que o programa do rádio não acabe".
A igreja tinha um programa em uma rádio comunitária com duração de uma hora, um dia por semana, o valor mensal para espaço radiofônico era de cinquenta reais.
O Fusca Zé Gotinha
Continuou então Gildário a falar:
- Não tem dinheiro para usar o fusquinha do Seminário Sertanejo para visitar as ovelhas.
- Não tem dinheiro para usar o fusquinha do Seminário Sertanejo para visitar as ovelhas.
Um esclarecimento: o nosso fusquinha estava à
disposição de sua igreja. Devido a falta de dinheiro, era costume o Gildário
colocar apenas um litro, às vezes só metade de um litro de gasolina no fusca. O
frentista do posto passou a chamar o carro de Zé Gotinha, numa alusão ao
personagem da campanha do governo para a vacinação da pólio.
Ele conclui de forma pessimista:
- Está tudo errado, eu não sei mais em quem acreditar. Os homens estão segurando as bênçãos de Deus.
- Está tudo errado, eu não sei mais em quem acreditar. Os homens estão segurando as bênçãos de Deus.
Diante da realidade passei a tentar leva-lo a
uma reflexão lógica: se o dinheiro não vinha já há vários meses era porque Deus
não estava no assunto. E sugeri ao Gildário que desistisse tanto do programa do
rádio quanto da ida a zona rural para visitar as ovelhas, até que a situação
financeira melhorasse. Ele gritou irado:
- "Eu não desisto! Se desistir vão me chamar de covarde".
- "Eu não desisto! Se desistir vão me chamar de covarde".
Insisti na analise racional dos fatos
afirmando que não tinha lógica aquela teimosia. O Gildário muito bravo falou:
- "Tem lógica sim. Eu vou continuar e pode dar o que der. Se eu desistir me chamarão de derrotado. Eu não sou derrotado! Dirão que eu sou covarde. Eu não sou covarde!. EU NÃO VOU DESISTIR"!
- "Tem lógica sim. Eu vou continuar e pode dar o que der. Se eu desistir me chamarão de derrotado. Eu não sou derrotado! Dirão que eu sou covarde. Eu não sou covarde!. EU NÃO VOU DESISTIR"!
A Rifa do Galo
Percebi que se tratava de algo além da razão e
da lógica. Aquietei-me e esperei Gildário acalmar-se.
Ele, mais tranquilo ofereceu algo inesperado
para mim.
Disse:
- Ao invés de estar me desanimando me compre
uma rifa.
Sem entender perguntei:
- Que rifa ?
Ele respondeu:
- A rifa do galo".
O Pr. Gildário, apelou para a igreja que
arrecada por mês R$ 350,00 em média entre dízimos e ofertas, uma oferta
especial para pagar a manutenção do programa de rádio semanal que tem potencial
para atingir mais de cinquenta mil pessoas com o evangelho de Jesus numa das
áreas mais carentes da Palavra no Brasil.
O valor do custo era de apenas R$ 50,00
mensais, mas a igreja tinha um déficit de mais de R$ 150,00.
Ele pediu suplicando as suas ovelhas:
- "Se agente não tiver o dinheiro do
programa do rádio ele vai acabar"
Decidiu-se levantar uma oferta especial no culto á noite para
poder salvar o programa de rádio. Havia cerca de 50 pessoas presentes, e diante deste auditório fez-se o desafio para que cada um contribuisse com R$ 1,00 para pagar o aluguel de R$ 50,00 que estava com 3 meses de atrazo, e com ameaça de ser retirado do ar caso entrasse em mais um mes de atrazo. Desta forma consegui-se levantar com muita dificuldade
R$ 16,00 o que era uma grande oferta para a realidade da igreja, porém
insuficiente.
Uma senhora crente, penalizada com aquela
realidade, no outro dia chega com um galo e falou:
- "Pastor eu não tenho dinheiro mas o que
tenho dou. Esse galo é para o programa do rádio, venda ele, e que Deus
abençoe" .
A senhora era a irmã Lourdes, casada com o
irmão Tota, que eram meieiros num sítio da região. Não tinham renda mensal, a não ser o bolsa escola do
governo. Moram a 14 km da cidade, no sitio Capim Grosso.
Não comprei a rifa, mas fiquei impactado e
sensibilizado com aquela realidade. Resolvi então escrever uma carta desafiando as
igrejas do Brasil e coloquei na internet.
Quando a carta passou a circular na rede o
retorno foi imediato. Várias ofertas de inumeras igrejas, das mais diversas
cidades, até fora do Brasil chegaram para abençoar o sertanejo da região do
Vale do Piancó, Sertão da Paraíba, área muito carente com uma população
evangélica ainda pequena, principalmente na zona rural.As portas finalmente se abriram para o pr. Gildário. Nunca mais faltaram recursos. Deus passou a suprir.
Toneladas de alimentos chegaram no inicio de
2002 para serem distribuídas entre os carentes (o período de seca tinha trazido
indícios de fome em algumas casas), o programa do radio foi adotado por um ano
inicialmente por um irmão de Brasília, alunos do Seminário Sertanejo da Juvep
foram abençoados com bolsas de estudo, a maioria deles não podia pagar o
equivalente hoje a R$ 40,00 por mês; os filhos do pr. Gildário foram adotados
na área de saúde, ganharam um plano de saúde nacional por um ano, etc.
Porem a irmã Lourdes, em termos materiais, não
tinha recebido nada até então.
Deus Proverá
Seis meses depois ao ler a história, o pastor
Jeremias Pereira da Oitava Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte, ficou
bastante emocionado e resolveu contar esse testemunho em todos os lugares onde
era convidado a pregar.
Um dia ia passando um vizinho que perguntou a
Lourdes se ela já tinha uma geladeira em casa, ela respondeu que ainda não.
Então ele falou: "que miséria é essa Lourdes! Tu estás aí morando em uma
casa de taipa, de chão batido, com fogão a lenha. Essa estória de ser crente é
conversa fiada". Lourdes respondeu calmamente: "Deus proverá, Deus
proverá".
Poucos dias depois, em Toronto no Canadá duas
jovens ao ouvirem o Pr. Jeremias falar do testemunho do galo, em um acampamento
evangélico, procuraram o pastor e disseram: "nós não queremos ofertar nem
para o pastor do galo nem para a igreja do galo, queremos ofertar para a irmã
que deu o galo". Doaram o equivalente a R$ 800,00. A irmã Lourdes nunca havia
pegado em tanto dinheiro de uma só vez. Ela comprou então uma geladeira nova e
passou a fazer sacolé (chup-chup) para levantar uma renda extra.!
O Galo canta em Nova York
Mas não ficou só nisso. Ao ouvirem esse
testemunho, a Primeira Igreja Batista para Brasileiros em Nova York
sensibilizada, resolveu construir uma casa para irmã Lourdes, A dela era de
taipa, o piso de terra batida e em terreno que não era deles.
Ao receber o e-mail do Pr. Francisco Izidoro,
titular da igreja em Nova York, aleguei que mais importante naquele momento do
que a casa seria uma terra para plantar, já que eram Sem Terra.
A igreja prontamente levantou o equivalente a
R$ 7.000,00 (em valores de hoje: R$ 18.800,00) e comprou uma terra com um poço
perene, (algo raro no sertão) para a família que deu o galo.
A família da Lourdes ficou como quem sonha:
eram, agora, donos de uma propriedade. Realidade distante para simples
agricultores que, nem os pais, nem os avós tiveram esse privilégio.
Com a terra veio outra benção, a oferta de uma
bomba d`água para irrigação conseguida pelo Pr. Jeremias de Belo Horizonte. Se
houvesse irrigação para todos não haveria fome no sertão.
A Casa do Galo
Um outro sonho ainda se tornaria realidade, o
da casa própria e de alvenaria. A igreja em Nova York ainda comprometida com a
construção da casa enviou paulatinamente, com sacrifício, os recursos para a
construção da casa. Foi construída uma casa com 135 m2 de área, três quartos, sendo um
suíte. O custo para construção em valores de hoje seria R$ 41.500,00 Uma mansão,
um palácio, para o padrão rural do sertão, que Deus deu a irmã Lourdes e
família.
Em janeiro de 2006 o Pr. Francisco Izidoro
veio de Nova York para a inauguração da casa.
DEUS PROVEU !
A comunidade local estava quase toda presente,
eram mais de 100 pessoas alegres com o milagre da provisão. A irmã Lourdes e o
esposo Tota, o Pr. Gildário se emocionaram muito, choraram ao lembrarem de tudo
que Deus promoveu nesses anos após o galo. Na inauguração da casa houve muita
celebração e o nome de Deus foi glorificado.
A irmã Lourdes não entende muito bem, até hoje
como aconteceu. Ela exclama de vez em quando: "Eu não fiz nada. Eu só
queria ouvir a palavra de Deus e achava bacana ouvir os recados que o pastor
mandava para agente aqui do sitio pela radio"
A sua motivação era apenas ajudar para que o
programa não acabasse. A sua oferta foi como a oferta da viúva pobre: "ela
deu tudo o que tinha" (Mc 12.41-44).
A história ainda não terminou...
O sertão continua carente,
provavelmente não vamos resolver todos os problemas, mas podemos fazer a
diferença para alguns:
<!--[if !supportLists]-->·
<!--[endif]-->Muitos líderes estão abandonados no campo sem
assistência emocional, não recebem visitas, telefonemas, nem
cartas. (caso queira visitar, telefonar ou, pelo menos, escrever temos o
endereço de dezenas deles)
<!--[if !supportLists]-->·
<!--[endif]-->As mulheres missionárias, em sua grande
maioria, quando adoecem são humilhadas com atendimentos desumanos. Ajude para
que elas tenham direito a saúde descente – PLANO DE SAÚDE .
<!--[if !supportLists]-->·
<!--[endif]-->Algumas igrejas tem dificuldades para pagar a
água e a luz elétrica
Veja o vídeo
do Pr Jeremias contando a respeito do dízimo do galo
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluir