quinta-feira, 25 de setembro de 2014

CRISTIANISMO SUSTENTÁVEL



"A Simplicidade é o valor mais urgente do nosso tempo...."


“Pois para Deus não há acepção de pessoas‘” (Romanos 2.11)

 Numa época em que consumimos cada vez mais e nos acostumamos a comprar e não consertar, esse estilo de vida megalomaníaco tem afetado e alterado todas as áreas de nossas vidas. O tempo durável das coisas se torna cada vez menor e nossos lixos cada vez maiores. É triste (e um poucoa assustador) constatar que até mesmo em nossas igrejas temos selecionado o que ‘presta’ e o que ‘não valhe a pena’. E não me refiro apenas aos objetos, mas as pessoas. E o pior: com nossa visão falha e equivocada, que é incapaz de olhar além da aparência e ver o interior e o futuro potencial daqueles aos quais Deus pode – e quer – vocacionar e usar para serem participantes de Sua missão. Temos fechado as portas para aqueles que não correspondem às nossas expectativas e parâmetros. Temos limitado o poder de Deus para agir e transformar a vida de uma pessoa, só porque ela é muito diferente. Temos permitido que a nossa vontade de sermos santos (e sim, devemos a cada dia buscar a santidade, como Ele é santo) nos dessensibilize nos fazendo esquecer da necessidade de estar próximo daqueles que ainda estão ou não começando a andar pelo Caminho. Muitas vezes, temos menosprezado, afastado e jogado ainda mais na escuridão e no ‘lixo’, aqueles que ainda não experimentaram um relacionamento com o Cristo que nos lava, nos cura, nos limpa e nos perdoa. Se Cristo fosse alguém que olhasse mais para as falhas do que para o potencial de alguém não teria feito do mentiroso e enganador Jacó, um homem como Israel; não teria permitido que a prostituta Raabe, fizesse parte da linhagem de Jesus; não teria feito de Pedro, um traidor de personalidade difícil, alguém tão importante para a concretização da sua igreja na terra; não teria feito de Paulo, um perseguidor, que chegou a consentir com assassinatos de Cristãos, um dos maiores divulgadores do Evangelho, alguém que viveu e morreu pela Palavra. ‘Vendo os escribas dos fariseusque comiacom os publicanos e pecadores, perguntavam aos discípulos: Por que é que Ele come com os publicanos e pecadores? Jesus, porém, ouvindo isso, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos; Eu não vim chamar os justos, mas pecadores.‘ (Marcos 2.16-17) Jesus andava com os cobradores de impostos, com os cegos, com as adúlteras e prostitutas e me arrisco a dizer que Ele gostava disso. Acredito que Ele estava onde lhe era dado espaço, onde era querido e desejado. Quanto mais perdidos, mais precisamos e mais sedentamente procuramos ajuda. Aqueles fariseus se consideravam grande coisa. Não precisavam de ajuda, porque ‘eram muito bons’. Cumpriam as ordenanças e então pensavam que podiam fazer por si mesmos o que fosse necessário para alcançarem a salvação. Já aqueles pecadores, rejeitados, diminuídos, não encontravam em si mesmos nada de bom, até estarem com Jesus. Ele era o tudo de bom, justo, amável que eles não eram. Era o perfeito que não os tratava de acordo com suas imperfeições, mas através da Sua graça, transformava suas vidas e lhes dava esperança. Não sei em que ponto da história nossas igrejas deixaram de ser parecidas com Jesus. Não sei em que momentos as tradições e costumes ocuparam o lugar do olhar de misericórdia e amor que Jesus nos deu e deixou para que usássemos com nosso próximo. Não sei qual situação nos fez começar a vomitar aqueles que estão perdidos e ainda assim arrotar santidade. Nós nos perdemos, nós esquecemos o foco. Precisamos nos lembrar que quanto mais errada uma pessoa aparenta estar, mais temos que trazê-la para perto de nós. Firmados na Palavra direcionados pelo Espírito Santo e com o coração cheio do amor de Deus, devemos nos aproximar desses, para poder influenciá-los. Era o que Jesus fazia. Andava perto, sem estar junto com o pecado, mas permitindo mostrar a diferença que o Pai fazia em seu modo de agir, pensar e viver. Tratar a todos de forma igualitária não é apenas uma atitude politicamente correta, mas uma característica do caráter de Deus e um mandamento a ser seguido por nós. Devemos nos lembrar que todos nós pecamos e carecemos dia após dia da graça de Deus. Não podemos nos esquecer jamais de quem nós éramos sem Ele, da mudança que Ele fez em nós e de onde nos tirou. Quando olhamos para nossas falhas e limitações, entendemos o quanto precisamos do Senhor e não permitimos que o orgulho nos afaste Dele e nos faça reprimir nossos irmãos. Precisamos reciclar a forma como tratamos aqueles que achamos ser ‘mais pecadores’. Devemos renovar nossa mente através dos ensinamentos de Cristo, que amava os doentes, e não tratá-los com a hipocrisia dos fariseus, que os afastavam. Devemos erguer nossas mangas e começar a limpar os corações – a começar dos nossos. Devemos sair por aí, pelos becos e cantos escuros desse mundo, coletando os perdidos e trazendo-os para perto de nós. Precisamos recuperar suas partes úteis e trabalhar com seus dejetos, para que assim como nós, pela graça de Deus, não nos sentimos mais como lixo, que eles também possam sentirem-se amados e importantes. Que possamos reintroduzí-los em nosso ciclo, em nossas igrejas, em nossas orações. Que estejamos dispostos a sermos instrumentos de Deus para a transformação daqueles que aos nossos próprios olhos parecem não ter mais jeito. Deus não lança fora ninguém, Ele tem conserto para todos nós.

“Ele levanta do pó o pobre, e do lixo ergue o necessitado, para o fazer sentar com os príncipes, sim, com os príncipes do seu povo.” (Salmo 113.7-8)

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