Por volta de 1450-1455 tinha sido impresso
pela primeira vez na História um livro: Uma Bíblia. A Biblia Latina, impressa por João Gutenberg, com uma edição de cerca de
150 exemplares, uma revolução tecnológica, certamente, mas que dá início a uma
revolução social. Até aqui, na Idade Média, os livros eram copiados à mão.
A bíblia era um luxo, exclusivo aos elementos da Igreja. A maioria da
população, analfabeta, conhece a Bíblia apenas de forma lacunar, das visitas à
Igreja .
Nos anos seguintes à invenção da imprensa
irão surgir milhares de bíblias em circulação, impressas primeiro em latim, mas
também em Grego, e depois em Inglês, Alemão, Francês, e demais línguas e
dialectos. Coloca-se agora com maior acutilância a questão de descobrir as
versões mais "correctas" da Bíblia, a exegese torna-se uma prática
comum. Estamos na era de humanistas como Erasmo de Roterdão.
Torna-se também evidente que há uma problemática intrínseca à tradução de
textos. Como traduzir a palavra grega "presbyterus" ?
"Padre", como pretendem os católicos ? Ou "o mais
velho" como pretendem alguns protestantes ? Se no passado, quando a
Bíblia era um elemento de decoração dos mosteiros e de Igrejas, estas questões
não se colocaram com grande urgência, agora que as bíblias apareciam nas
estantes das famílias educadas e eram lidas em massa, o tema torna-se mais
importante.
A imprensa, inventada na Alemanha por John Gutenberg,
foi importante na divulgação destas ideias. As 95 Teses de Martinho Lutero foram imediatamente
impressas e divulgadas por todas as regiões de língua alemã, o que contribuiu
para a crescente popularidade de Martinho Lutero. Não menos relevante foi a
influência da pressão social exercida pela Contra-Reforma, na qual os Jesuítas tiveram um papel de liderança. A Inquisição e a censura exercida pela Igreja
Católica foram igualmente determinantes para evitar que as ideias reformadoras
encontrassem divulgação em Portugal, Espanha ou Itália, países católicos.
Iran P Silva
Iran P Silva
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