domingo, 18 de novembro de 2012

Limites



LIMITES




Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos os erros de nossos progenitores. E com o esforço de abolir os abusos do passado, somos os pais mais dedicados e compreensivos, mas, por outro lado, os mais bobos e inseguros que já houve na história.
O grave é que estamos lidando com crianças mais “espertas”, ousadas, agressivas e poderosas do que nunca. Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ter, passamos de um extremo ao outro. Assim, somos a ultima geração de filhos que obedeceram a seus pais, e a primeira geração de pais que obedeceram a seus filhos.
Os últimos que tivemos medo dos pais e os primeiros que tememos os filhos.
Os últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos.
E o que é pior, os últimos que respeitamos nossos pais e os primeiros que aceitamos ( às vezes sem escolha....), que nossos filhos nos faltem com o respeito.
Á medida em que o permissível substitui o autoritarismo, os termos das relações familiares mudou de forma radical, para o bem e para o mal. Com efeito, antes se consideravam bons pais aqueles cujos filhos se comportavam bem, obedeciam suas ordens e os tratavam com o devido respeito.
E bons filhos, as crianças que eram formais e veneravam seus pais. Mas na medida em que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram-se desvanecendo, hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, ainda que pouco os respeitem. E são os filhos quem, agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem as suas ideias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver.
E, além disso, os patrocinem no que necessitarem para tal fim. Quer dizer: os papéis se inverteram, e agora são os pais quem tem que agradar a seus filhos para ganhá-los e não o inverso, como no passado. Isto explica o esforço que fazem hoje tantos pais e mães para ser os melhores amigos e “tudo dar” a seus filhos.
Dizem que os extremos se atraem! Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente do presente os preenche de medo e menosprezo ao nos ver tão débeis e perdidos como eles.
Os filhos precisam perceber que, durante a infância, estamos à frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los quando não os podemos conter, e de guiá-los enquanto não sabem para onde vão. Se o autoritarismo sufoca, o permissível suplanta. Apenas uma atitude firme, respeitosa, lhes permitirá confiar em nossa idoneidade para governar suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente liderando-os e não atrás, carregando-os rendidos à sua vontade.
É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole e tédio no qual está afundando uma sociedade que parece ir à deriva, sem parâmetros nem destino.
Os limites abrigam o indivíduo. Com amor ilimitado e profundo respeito.

Fonte: Monica Monastério


PARA DISCUSSAO EM GRUPO OU EM FAMILIA

1.      A seu ver, quais as principais diferenças entre uma e outra geração ?
2.     Quais os resultados, que os conflitos provenientes da relação pais e filhos, tem gerado no ambiente social?
3.    Quais as mudanças ocorridas no meio social, que ajuda a compreender a diferença entre crianças de uma geração e outra?
4.  Quais as principais mudanças ocorridas no meio social, que explicam as diferenças existentes entre um e outro modelo de educação familiar?
5.   Qual o  impacto que o estilo de vida urbana gera no convívio familiar que explica esta mudança de padrão de comportamento familiar. Que alternativas podemos dispor para evitar que isto aconteça?
6.      Quais os riscos existentes entre a fronteira do autoritarismo e o excesso de permissividade na educação?
7.    Quais os riscos que a nova geração tem a frente de sua história, em virtude da falta de limites e parâmetros de formação de caráter familiar de caráter familiar?

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